Às vezes dou por mim a sentir-me só no meio da multidão. Como se quanto mais pessoas se encontrarem à minha volta, mais perdida estou, mais insignificante eu sou. Tenho amigos. Mas sou tímida. Sinto-me bem quando estou perto deles, mas sinto que, quando estou longe, eles se esquecem de mim. Recebo as notícias depois de todos as saberem, e talvez apenas por caridade é que mas transmitem. Sinto que ninguém me compreende, que sou um fardo para os meus pais porque só lhes gasto dinheiro e eles não me deixam contribuir... Sinto que os meus amigos só não se esqueceram dos meus anos porque eu lhes disse o dia... Sinto-me sozinha no meio da multidão, quando estou na universidade e todos me ignoram... Sinto que ninguém me compreeende ou procura compreender... Tenho medo da solidão e no entanto parece que caminho para ela... Necessito de encontrar alguém que me possa tirar deste pesadelo, ou que me venha dizer que isto que sinto é falso, com a verdade explícita no olhar... Preciso de fé, de alguém que me diga que vou conseguir alcançar aquilo que desejo, que vou conseguir realizar os meus sonhos, ter as profissões que anseio, ser alguém de quem me possa orgulhar... Does it feel like?
Apesar de vir tarde, não podia passar ao lado da morte de um nos nossos Prémios Nobel. E infelizmente venho para criticar, aglo que este grande escritor o fazia com muita frequência. E muito é dizer pouco, praticamente nenhuma linha dos seus livros não tem crítica subjacente. E por alguma razão ele criticava.
Como todos nós, Saramago tinha as suas crenças e as suas convicções. E a sua opinião levava-o a discordar de certos factos da realidade. E por isso criticava, como forma de puder alterar a realidade e de levar outros à acção.
E tal como ele venho hoje criticar o que se passou no seu funeral. Porque as pessoas criticam quando algo não está certo, quando as pessoas têm atitutes erradas.
Venho aqui criticar o facto de muitas pessoas não terem sequer feito luto ou ido assistir ao funeral deste homem (sim, porque antes de tudo ele era um homem) devido às convicções políticas de José Saramago. Isso é um absurdo, porque quem morreu não foi só o homem político, foi o homem escritor, foi o homem Prémio Nobel! Quando o mundo todo assiste ao funeral de um dos escritores mais importantes da sua geração, os portugueses portam-se sempre como sempre foram: ignorantes, atrasados e estúpidos.
O pior de todos foi o nosso Presidente da República, representante da Nação, que não abandonou as suas queridas fériazinhas para se despedir do corpo de Saramago, que agora está reduzido a cinzas, conforme vontade expressa do mesmo. Porque os portugueses pecam quando não sabem separar a sua pessoal da profissional, o país não avança e vamo-nos afundando cada vez mais na ignorância e no atraso que nem sequer queremos combater! É um facto tornado público que enquanto pessoas, Cavaco não se dava bem com Saramago, que considerara o primeiro (e muito bem) como "génio da banalidade". Mas independentemente do ódio que Cavaco Silva possa ter pelo escritor comunista, devia ter tido a coragem (ou melhor, os tomates) para se ir despedir do homem em nome de uma Nação que o chorou.
É que o povo talvez compreendesse que Cavaco não pudesse vir por estar numa visita oficial a um país distante, mas mesmo assim há aviões! Agora a passar férias nos Açores?! No próprio país, a descansar, nãlo podia desgastar o corpo por mais um dia e vir cumprir as suas funções?! E depois o povo ignorante votará nele nas próximas eleições, para ele voltar a fazer uma figura triste destas, gastando com a sua família ( e quando se diz família, diz-se a prole toda) o dinheiro do Estado, o dinheiro do Povo, para passar férias, para DAR UM EXEMPLO aos portugueses!!!!
É por isso que esta crise é uma crise de valores! A moral está a desaparecer a um ritmo alarmante!
Mais um aspecto que quero criticar: como é que só Mário Soares falou ainda de panteonizarmos Saramago? Como é possível que mais ninguém na cena política (pelo menos) o apoie?
E temos de ver que Mário Soares não se dava com Saramago e vice-versa e Soares foi ao funeral!!!! Separou a vida pessoal da profissional! E ele que o odeia fala de panteonizar! Bem, nisso ele tem o meu apoio! Bastava pegar num pedaço das cinzas, não era necessário ir todas as cinzas para o Panteão, porque o desejo de José Saramago era o de ficar num jardim.
Não nos esqueçamos que só temos dois Prémios Nobel na nossa História! Eles merecem o panteão mais do que ninguém, porque foram capazes de elevar o nome do nosso querido país e de colocar nas bocas do mundo esa linda palavra que é PORTUGAL!!!
Adeus Saramago, talvez estejas algures por aí, talvez não... De qualquer forma és imortal...

António Lobo Antunes, Livro de Crónicas
Mais uma vez, parece que a citação não faz sentido na minha vida. Outro coração se fechou e não fez barulho, mas transmitiu-me tanta infelicidade como ver meu amado partir e fechar-me a porta.
Estava a falar com uma muito estimada amiga que tenho pelo Messenger, antes de uma reunião que iria ter de trabalho, e perguntava-lhe pela frase que lá tinha escrito, uma frase miserável, infeliz, mas altamente poética. Procurava perceber se a mesma reflectia o estado de espírito dela, o que soube logo que sim pela resposta que me deu quando lhe perguntei se estava tudo bom com ela.
Contudo, ao contrário de muitas outras vezes, o coração dela fechou-se perante mim e bateu-me com a porta na cara com uma força enorme que me assustei. Não me quis explicar o que se passava, o que significava a frase. Apenas consegui saber que o que a atormentava era o coração e os seus problemas. Fiquei muito triste e senti-me mal, impotente, pois não a poderia ajudar, pois ela não quis a minha ajuda.
Compreendo a sua posição, ela passou tanto tempo da sua vida infeliz a explicar-me e aos outros o porquê das suas misérias e sempre nos pusemos contra ela. Agora o escudo dela aumentou e impediu-a de contar algo para que não caiam no seu regaço mais lágrimas do que as que já caem. Para não se sentir desamparada no meio do desamparo. Contudo, isso não evita a minha infelicidade e desespero por ver alguém triste e nada poder fazer para travar o mal.
Como lhe havia prometido há já muito tempo, apenas a pude confortar, dizendo que o problema vai passar, que ela vai ficar melhor. Existirão dias melhores, as tristezas vão acabar um dia. E cá estarei eu, à porta, à espera que ela volte a confiar em mim e me abra o seu coração. Para já, vou fazendo o meu trabalho de casa e tentar não arranjar discussões só porque não concordo com ela. Já chega de discussões contra ela.
6/04/2010 (texto pensado em 27 de Março, conversa no dia anterior)
António Lobo Antunes, Livro de Crónicas
Pois o meu coração já há muito se fechou. Não fez barulho, foi sorrateiro, pé ante pé, olhando para todos os lados, procurando que ninguém o visse, agarrou na maçaneta com firmeza e deixou a luz lá fora, fechando a porta devagar, silenciosamente, fechando-se dentro da escuridão da sua solidão.
Sem me aperceber, fui percorrendo o meu caminho, trilhando novos atalhos e criando novos perigos para quem ousa me perseguir. Sem me aperceber esses perigos criados foram gerados pelo meu coração. Até que estagnei, parei no meu caminho, olhei para trás e reflecti. Fui forçada a andar, o tempo não pára nem espera por nós, mas caminhei centrada nos meus pensamentos, dando passos em frente, sem ver o que surgia pois estava em processo de introspecção.
A luz guiou-me, aflita, desesperada. Corria, puxava-me com a sua mão esquerda, que agarrava a minha direita, e na outra levava a lanterna que levantava contra a treva. Suas vestes brancas apenas descobriam os alvos pés, que pareciam voar no meio da claridade, as mãos e a sua face. Seus cabelos curtos não eram brancos como os de um velho, mas sim brancos como se se fundissem com a luz exterior, eram pedaços de luminosidade. Seu rosto, de criança, igualmente claro como o resto do seu ser, mostrava uns olhos negros, umas sobrancelhas igualmente negras e era capaz de jurar que não tinha boca se não me implorasse para ir com ela, para avançar.
Não percebi porque tinha nariz se não respirava. Contudo, entendi que a luz apenas tinha este aspecto por me ser familiar e porque desta forma a ouviria e via.
Chegadas à porta, antiga, velha, quase podre, de madeira escura, negra, a luz investiu uma primeira vez, tentou rodar a maçaneta de prata, mas não conseguiu. Depois pediu-me delicadamente que tentasse, já muitas vezes tentara e não conseguira, e eu acedi ao seu pedido. Toquei na maçaneta, senti-a gélida, apesar de anteriormente o calor da luz a ter invadido. Por debaixo vinha uma corrente de ar polar, e senti-me tentada a baixar-me e espreitar. Encostei o meu olho, mas nada vi, era tudo negro. Levantei-me, com a mão da luz no meu ombro a aquecer o meu espírito e tentei rodar a maçaneta. Tentei mais uma vez, tentei outra e outra e outra e outra vez. Não consegui!
Gritei de raiva, agarrei a maçaneta com as duas mãos, dei pontapés à porta, mas nada. Por vários dias tentei, apesar de saber que não mando totalmente no coração e desisti. Voltei a caminhar com os olhos postos no futuro, naquele caminho de terra que corta um prado verde-claro ao meio, que termina com uma floresta verde-escura em ambos os lados.
Durante muito tempo fui obrigada a viver de coração estagnado, com medo de viver assim para sempre, com medo de que isso me impedisse, de facto, de viver. Tive medo de que isso me impedisse de dar oportunidades a rapazes na minha vida amorosa, tive medo de ser condenada a viver na solidão.
De facto, nada disso aconteceu. O meu coração não se fechou para sempre, não estive sozinha, mas enquanto ele esteve fechado nenhum rapaz gostou de mim.
Há pouco tempo, mais ou menos a meio do mês primeiro ou início do mês segundo, o meu coração espreitou pela fechadura, viu nada a não ser claridade, agarrou a maçaneta com a mão esquerda, rodou-a e abriu um bocadinho a porta, deixando entrar um feixe de luz, e espreitou para fora.
Não me apercebi inicialmente do que se tinha passado. Fui apanhada de surpresa quando de repente me apercebi que não conseguia tirar os olhos de um rapaz e que o meu coração dava sinais de vida e movimento quando o mirava.
Comecei a entender que o meu coração se abriu ao mundo e continuou o seu curso. Contudo, não me apaixonei. Parece que o meu coração arranjou um escudo para impedir que o voltem a magoar. Deixei que o meu coração se abrisse sozinho, evitei que o importunassem e a vida foi avançando. Todavia, estava preocupada com aquele escudo brilhante e enorme que protegia a negra silhueta que fazia sombra no feixe de luz e que se ocultava para o exterior dentro daquele pedaço de metal resplandecente. Para sentirmos a felicidade e a valorizarmos temos de enfrentar a dor e senti-la a invadir-nos como pedaços de gelo até à medula. Além disso, nunca precisei de defesas, ou melhor, nunca as usei quando precisava e não era altura de começar. A verdade compra a verdade. Com a minha sinceridade procurei conquistar a dos outros. Embora às vezes tenha dado a verdade enquanto ao mesmo tempo me ofereciam a mentira, a minha verdade buscou a deles e quanto mais eu dizia a verdade e mais eles mentiam, maior se tornava o contraste e o fosso, o que mais atraía a verdade deles. E a verdade vem sempre ao de cima. Às vezes o melhor é que venha cedo. Mas também há mentiras que geram felicidade suprema.
Fui lutar, fui até à porta entreaberta e deparei-me com uma força que me impedia de entrar, mas eu consegui arrancar o escudo e sujeitar o meu coração desamparado a tudo o que surgir.
E por isso já sofri, já fui atingida por uma faca e sangrei por gostar de alguém.
Agora, vou deixar a vida continuar e vou ver se encontro um rumo para o meu coração. Só dois aspectos temo: o não ser capaz de amar para sempre (não sei se serei)e a minha capacidade de amar mais a fantasia do que a realidade. É assim que me mantenho feliz na solidão, receio não ser capaz de a abandonar na altura certa. Entretanto, persigo o meu destino, percorro o caminho, esperando pelo homem que trará a chave do meu coração.
Nota: Não me posso esquecer de mudar a porta. Já é difícil de ab rir, já se torna complicado empurrá-la para receber totalmente a luz…
27/03/2010
"O Homem é do tamanho do seu sonho."

O destino é cabrão
E a vida é puta.
Era uma vez uma menina que descobriu a razão dos olhares escondidos e encobertos. Era uma menina, parte inocente, outra parte queimada pelo Destino, afectada pela demência da humanidade e do mundo, que lhe deixou marcas na sua transformação e descoberta do seu ser.
E era uma menina a razão dos olhares perdidos pelo desencontro. Pois ele anda com outra. E como "mais uma na mão que duas a voar", ele não quer arriscar. Mas a esperança em mim não morre. Aliás, como uma amiga minha referiu, "eles não namoram, só andam".
O rapaz consome assim a menina que quer olhar, mas que também não quer.
No dia em que ela escreve um poema intitulado "see my eyes", dedicado a ele, este diz.lhe numa aula: olha para mim!
E assim a perdição acontece e se sucede.
Dias depois, no MSN, ele muda a sua frase. Tinha o nome dela e um :D. Retirou este smile.
Há poucos dias alterou e colocou junto do nome dela um coração, <3.
Deixa lá, graças a mim descobriste que gostas dela e que tens de ser fiel. Deixa lá, não me magoas, só gosto de ti. Deixa lá, eu não perdi a esperança.

Love's the funeral of hearts. My heart is still living, hasn't reach the funeral yet.
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Once upon a time, there was a boy and a girl.
Uma vez no tempo, surgiu neste mundo um rapaz e uma rapariga. Qual Eva para seu Adão. Um dia, conviveram e conviveram e conviveram. Mas só um ano depois se conheceram.
E de que serviu isso?
A rapariga perturbada nem sabe o que sente, teme sentir mais do que pensa, teme o seu olhar quando é recíproco, teme tudo, e por isso nada faz. Limita-se a olhar. Ou a tentar passar despercebida enquanto o mira.
Tal como a rapariga está confusa, também o texto assim o está. As palavras não soam correctamente, nada sai como devia. Ou sai bem demais.
O que de facto se passa é que este rapaz e esta rapariga conviveram na mesma sala de aula durante um ano, apenas numa disciplina. Quando ambos se tornaram membros da mesma turma, ela conheceu-o. Se ele chegou finalmente a conhecê-la? Não posso falar de algo que não sei. Simplesmente ela o olha e vê os seus dois "eus". É quase como Blimunda Sete-Luas, tenta vê-lo por dentro.
Como a vida já lhe trouxe dissabores e como a vida lhe deu muita imaginação, esta rapariga teme ver nos olhos dele aquilo que deseja, em vez daquilo que é real. E por isso esconde-se dos seus sentimentos, prende-os numa gaiola para que não possam crescer. E às vezes liberta-os, num impulso desmedido, procurando descortinar aquilo que ela ainda não aprendeu a ver: o que realmente sente um homem, um ser que se esconde de si e dos outros com medo do que possam vir a pensar dele.
Era uma vez uma rapariga e um rapaz que pertenciam a dois mundos diferentes. O mundo do desporto e o mundo do intelecto, mundo que separa também as ligações. Os amigos pertencem a esses dois mundos diferentes, através de amigos comuns não podem aproximar-se.
E ela não sabe o que sentir, nem o que ele sente. Ele tanto oscila em olhar para a gaja boa da turma e dizer com os olhos "já te comia toda", mas quem é a menina para sentir ciúmes, quando ela pensa o mesmo, exactamente por ver o seu claro tronco?
Depois olha-o nos olhos, momentos de milésimos, onde os olhos trocam e ela pensa que sentem o mesmo. Mas depois ele abraça as amigas, ela sente ciúmes. Ciúmes tão fortes que a fazem desejar ser, pelo menos, amiga dele como elas são e a levam a desviar a cara para não sofrer. E ela fica sem saber como deve de reagir para mostrar que sente ciúmes. Sim, porque há quem tente conquistar através de manobras de ciúmes. Mas com ela isso não funciona, porque não sabe como se deve portar. Até porque ela vê os seus dois "eus", ela tanto vê o "eu" que ele assume porque tem de ser, de acordo com a sua posição na sociedade, a sua idade. Ela conhece a máscara, mas quer conhecer o anjo da música por trás dela. É o seu fantasma da ópera e o seu raoul, e a Christine quer descobrir se o que vê é verdade, se os dois eus realmente estão lá, se quando o olha ele tira a máscara.
Ela já reparou que ele só olha com olhos sem máscara quando ninguém os vê. No outro dia tiveram um momento. Ela nunca esquecerá a sua boca tão milagrosamente branca e os seus olhos intensamente adultos e maduros a sorrirem para ela. E é tudo o que tem para justificar os sentimentos que tem e que esconde, porque desconhece a sua força, porque tem desejos obscuros que receia não se concretizarem por pensar neles.
Ela tem vergonha de assumir o que tem dentro do coração a palpitar, ela não assume a ninguém o que pensa sentir, tem medo de sofrer mais uma vez e passar vergonha por mostrar algo que sente a quem não sente isso por ela. Mas pela primeira vez teme seriamente não tentar nada com ele. Com outros sempre sentiu algo que lhe provocava menos medo, e se o perdia naquele momento, mais tarde o agarraria, mas agora teme perder o momento, este momento! E a angústia e a vergonha ocultam a paixão e o amor.
"It's not a matter of luck, it's just a matter of time"
Edge of the Earth - 30 Seconds to Mars
"Take my heart and take my soul. I don't need them anymore"
The One I Love - The Rasmus
"Mary was the type of girl she always like to play a lot
Mary was the type of girl she always like to fall apart
Tell me did you see her face?
Mary was becoming everything she didn't want to be
Mary were allucinate and see the sky upon the wall
Mary was the type of girl she always like to fly"
Buddha for Mary - 30 Seconds to Mars
This is the story of my life...
Ao ver imagens desta década que passou, vejo que foi uma década repleta de infortúnio e desgraças. O que me leva a pensar que a próxima década será melhor, mas que temos de nos esforçar para que isso se realize. Não só temos de possuir um espírito esperançoso e positivo, como temos de condenar as más acções do Homem, tanto em guerras, em atques terroristas, homicídios, etc., como também em termos ambientais (ou acham que as catástrofes naturais a que temos assistido acontecem por acaso?).
Temos de partir para uma década de consciência e acção.
Porque juntos somos fortes.
Porque juntos somos imparáveis.
[P.S.: Devido à confusão gerada por algumas pessoas que não sabiam se já havíamos chegado à nova década, informo que neste texto me refiro a 2011, ano em que iniciamos a nossa década.]
É durante a quadra natalícia que penso nisto e reflicto sobre o Natal, tal como toda a gente o faz e assim como todos nesta altura do ano se tornam amigos de todos e sorridentes para os inimigos e ajudantes dos desconhecidos.
O Natal, tal como o vivemos nestes anos, precisa de uma séria revolução, tanto de mentalidades como de tradições.
Eu sei que este Natal, tal como é celebrado, dificilmente mudará, até porque todos nós fomos educados para sermos materialistas e adorarmos mais receber prendas do que oferecer.
Temos de contextualizar as tradições de Natal para perceber como eu tenho razão: as tradições estão desactualizadas.
No Natal é tradicional juntarmos a família. Esse ponto eu defendo que se mantenha, pois o Natal antigamente celebrava-se no Inverno, numa altura em que os camponeses ficavam fechados em casa , o que convidava à união, ao convívio. Hoje em dia, as pessoas raramente em casa, tornando o Natal uma época urgente, não só quando é celebrada, mas também ao longo do ano. Também há familiares, espalhados por esse mundo fora, daí que seja preciso um regresso à pátria-mãe, para rever a família, pilar importante na nossa vida.
O Natal é a celebração do nascimento de Jesus, como tal, uma celebração cristã. A sociedade tem-se esquecido disso, dando ênfase à figura do Pai Natal, a quem confere omnipotência, como se fosse um deus, pois é a forma de nos vangloriarmos por oferecermos brinquedos às crianças, já que fazemos o trabelho dele. Admito que melhor seria fazer ver às crianças que não há Pai Natal, mas sim que houve S.Nicolau e contar a sua históriam ao invés de explicar que o Pai Natal desce pela chaminé quando os prédios proliferam.
Mas o melhor seria celebrarmos o nascimento do Menino Jesus, e explicar às crianças que Ele é tão bom que, tal como a minha mãe me disse, no dia em que se comemora o seu nascimento Ele oferece presentes aos meninos. Mas também deixará dúvidas, já que nem todos os meninos recebem presentes. Também nós temos de ser como Ele e oferecer ajuda aos mais necessitados, dando-lhes o que precisam. Mas não só no Natal, todo o ano! Porque o Menino Jesus é um exemplo a seguir.
Antigamente, talvez até ao tempo dos nossos avós, os camponeses e pesacadores (maioria da população) comiam muito mal ao longo do ano, e apenas aquilo que a natureza oferecia, daí que em dias especiais comessem em maior quantidade, por isso temos pratos tradicionais para os dias festivos. Ora, nós vivemos numa sociedade em que muitos têm muita comida e andamos todos os dias a tentar alimentarmo-nos de forma saudável, mas nem por isso deixamos de comer tanto, o que me leva a pensar por que é que no Natal, na celebração do nascimento do Menino Jesus, não pensamos na pobreza e humildade em que nasceu e reflectimos na riqueza que temos? Devemos ser humildes, jejuar ou comer pouco, e ajudar os que têm pouco a comer melhor, fazer um sacrifício por quem sacrificou tudo por nós! Eu sei que a ocasião é de festa, e que festa é uma ideia associada a muita comida, mas temos de alterar essa mentalidade.
Acho bem que se façam jantares para os sem-abrigo e os pobres, porque esses sim, passam fome e merecem um actop de bondade. Infelizmente, isso só acontece uma vez no ano.
E isso é algo que, igualmente, terá que mudar. Todos os anos chega a quadra natalícia e os homens e as mulheres são invadidos por um espírito de bondade e igualdade, ou seja, de amor. É nesta altura que a Humanidade é hipócrita, desejando Boas Festas aos inimigos, ou a estranhos, chegando ao dia 2 de Janeiro (embora o Natal propriamente dito só acabe no dia de Reis) em vez de manter o espírito, espezinhando os outros novamente.
Ainda bem que existe Natal, porque vem ensinar todos os anos aquilo que todos os anos é esquecido mal o Natal termina. Natal devia ser todos os dias, e não "quando o Homem quiser", lema só utilizado quando alguém decide oferecer uma prenda a outro alguém. Todos os anos, esta época "obriga" os Homens a amarem-sem, mas isso devia ser algo existente todo o ano, ensinado e educado e, essencialmente, cumprido por todos.
Outro hábito que considero errado é o de oferecer prendas aos adultos. No Natal incutiram-se as prendas devido à proximidade com o dia de S. Nicolau (6 de Dezembro), o santo que ficou popular por oferecer prendas. Ora, se queremos cumprir a tradição como deve ser, devíamos oferecer brinquedos e chocolates às crianças. Até porque a sociedade é tão consumista que passamos o ano a oferecer prendas àqueles de quem mais gostamos, ao pai, à mãe, aos avós, ... O verdadeiro espírito de Natal não é os presentes, mas sim a união e o amor entre as pessoas, entre os povos, entre a Humanidade. E mesmo que se queiram oferecer prendas, que tal oferecer algo feito por nós? Mas a sociedade até neste aspecto é injusta, porque valoriza mais algo comprado, do que algo feito individualmente, porque não tem (ou a sociedade quer dar a entender que não tem) tanta qualidade como algo impessoal e estandardizado que foi comprado numa loja. É a cruel preferência do "parecer" ao invés do "ser". É mais giro que os nosso filhos nos ofereçam um postal todo bonitinho, escrito e feito pelas professoras, mas assinado por eles, num canto escondido, do que um típico desenho de uma criança!
Ou seja, aquilo que eu pretendo para um Natal é a celebração do nascimento de Jesus, com um presépio em casa e sem pinheiro, um costume pagão. A família tem de se aproximar e juntar neste dia especial, oferecendo briquedos às crianças, comendo moderadamente, pensando nas duras condições em que o Menino Jesus nasceu.
Ah! E nada de iluminações nas casas e nas cidades. Isso é uma tradição criada devido ao medo instintivo que o Homem tem dlo escuro e que procura superar deste modo. E é um desrespeito para aqueles que não comemoram o Natal.
É pena ver que há mais símbolos do Pai Natal do que de Jesus. E que agora surgiu a moda dos estandartes, que infelizmente para muitos é só mais uma moda...
Procuremos, antes, boas conversas, gargalhadas, brincadeiras e jogadas à volta de uma lareira quentinhas, que aquece os espíritos mornos desta sociedade que precisa de uma revolução forte dos seus pilares egoístas e sovinas...
Não é tão bom passear pela relva e sentir os nossos pés a serem beijados pelas gotas?
Não é tão bom ver gotas de orvalho nas folhas?
Não é tão bom ver o reflexo do sol na gota que te soori pela manhã?
Não é tão bom estar sentada no chão de madeira e ver a chuva a cair lá fora?
Não é tão bom ter nas mãos uma chávena de chocolate quente, fechar os olhos e escutar a violência da chuva no telhado?
Não é tão bom estar toda coberta e adormecer ao som da chuva?
Não é tão bom olhar lá para fora e ver as plantas ainda mais verdes, ao toque da água que vem do céu?
Não é tão bom ser apanhada desprevenida no meio da rua e vir alguém a correr para ti e beijar-te?
Não é tão bom brincares à chuva, correr, deixar-te guiar pelos teus sentimentos, e chegar a casa e tomas um banho quente?
Não é tão bom apanhar frio lá fora e vires cá para dentro e estar no paraíso do calor?
Não é tão bom ver a chuva?
5/10/2009
JT
Bah, já tinha saudades da chuva... Farta da seca :'D

Ele entrega-lhe um ramo no dia do seu 15ºaniversário. Ela escreve no seu diário os seus sonhos de grandeza, o seu desejo de ser diferente, a ânsia de ser uma estrela.

Quando se conheceram, ele, Peter, ela, Anne, não surgiu uma ligação entre os dois. Mas o amor tem de ser construído. A voluntária reclusão levou a que as duas almas se unissem. Num mundo marcado por extrema dor, extremo sofrimento, eles tiveram a coragem e a ousadia de construir, entre as ruínas da infelicidade de milhões de pessoas inocentes, entre as ruínas do pãozinho sem sal Margott (não querendo ofender a sua memória), entre as ruínas dos casamentos sem amor dos pais (pelo menos sem aquela paixão forte), um amor feito de sonho, carinho, fraternidade.
Quando se conheceram, Peter era apenas um rapaz tímido, absolutamente fechado, que mal falava, e que se refugiava nos seus trabalhos de carpintaria. Anne era quase o oposto. Um bocadinho superficial, tagarela, chata, carente da atenção que o seu sorriso lisongeador provocava nos rapazes e com a mania de dar opiniões quando não era adulta (opinião, claro, dos adultos). Dentro de um Anexo Secreto holandês, na esperança de escapar a uma guerra que mais civis matou que soldados, duas famílias e um dentista se refugiaram, para que pudessem ser sobreviventes do genocídio de Hitler. Para fugir à injustiça e ao inferno que a Europa se tornara, em vez de arriscarem a vida fugindo para países neutros, mas que depressa poderiam ser ocupados, a família Frank decidiu esconder-se no escritório do pai, acolhendo outra família e um conhecido. Em vez do egoísmo de se dirigirem para a Suíça, onde tinham um familiar, escolheram o altruísmo de partilharem uma pequena casa com outros judeus que poderiam padecer do sofrimento daqueles que, desprotegidos, foram apanhados e levados para os campos de extermínio.
Quando se conheceram, não adivinhavam o que o futuro lhes aguardava. Mal sabiam que tudo iria começar com um olhar. Um olhar apenas, um olhar suplicante, um olhar a pedir carinho, um olhar também penetrante, igualmente profundo e amável que se dirigia a Anne. E ela não deixou de reparar nele.
"Não entendo, fazemos algo de mal?"
"Apenas não leves as coisas demasiado a sério, é isso que o teu pai está a tentar dizer."
Anne começou a tentar penetrar na alma de Peter, descobrir o que está por detrás da sua máscara. Ambos eram crianças quando ao esconderijo chegaram, e ambos passaram por muitas transformações, tornando-se adolescentes com muitas dúvidas, mas também, adolescentes solitários. Após muitas noites de choro, muitas noites na cama de Pim, para conseguir dormir sem ter a surpresa dos pesadelos na sua alma, Anne começou a reparar na solidão de Peter, e no amor que os seus pais não lhe davam. Ela começou a desejar, talvez numa maneira maternal, mimar aquele rapaz, mostrar-lhe que não está sozinho.
E a infelicidade de dois corações oprimidos por causa da guerra tornou aqueles dois tão felizes, pois amigos se tornaram. Discutiam sobre tudo, tiravam as suas dúvidas, aquelas que os adultos não desejam tirar, e falavam sobre os seus verdadeiros eus. O que Peter mais gostava nela era o sorriso.
As mães dos adolescentes, mulheres infelizes por amarem e não serem amadas, invejosas da felicidade dos filhos, não viam com bons olhos as idas de Anne e Peter ao sótão. A senhora van Pels, porém, adoraria ter Anne como nora, pois ela espicaçava os adultos falando do casamento entre os dois.
A verdade é que no meio da amizade que se construia forte, uma pequena florzinha saía de sua semente, semente pousada no ar, nas nuvens do sonho dos dois, e ela desabrochou um pouco a medo, um pouco assustada. O amor nascia no Anexo Secreto.
"Acho que já sou velha o suficiente para tomar as minhas decisões. Aíás, ele gosta do meu sorriso."
Eles também discutiam aquilo que gostavam um no outro. E Anne apaixonou-se por esta oportunidade de ter alguém em quem depositar o seu coração, apaixonou-se pelas conversas que tiveram ao pôr-do-sol, pois as palavras saem mais facilmente quando o sol não é tão forte.
Um beijo apenas, muito tímido, muito a medo. Era a declaração, era o olhar que tudo ditava. Ele, ainda tímido, ainda a medo, agarra-se a ela. Ela, feliz, arrepiada pelo que fez, beija, quase como se fosse um sopro, o seu pescoço, e assim ficam abraçados, debaixo de uma manta, por causa do frio, sentados em frente a uma janela, escutando os sinos. A ternura é vísivel, é mágica, é felicidade pura num só gesto, numa só carícia.
"Miep, quando é que soubeste?"
"Soube? Ah! Talvez, quando ele me beijou."
Eu também sonho, anseio pelo dia em que alguém me dirá que adora o meu sorriso. Alguém que eu possa abraçar, que possa ser o meu porto de abrigo, alguém que eu possa acarinhar, alguém que sinta nos meus braços, alguém para escutar a melodia do seu coração e sentir a sua respiração quente na minha pele fria. Espero pelo dia em que alguém me ofereça algo, ou faço algo por mim, e que valha a pena, por causa do meu sorriso. Porque o sorriso é o melhor que nós temos. Assim como os olhos. Alguém um vez me disse que os meus olhos parecem rir, mas neste momento os meus olhos parecem chorar. Choro de saudades da infância, quando pensava que poucas pessoas no mundo eram más. Mas agora que cresci vejo que é o contrário, e temo que faça outra má escolha e deposite a minha confiança e o meu coração em alguém mau. Desejo, do fundo do meu coração, espreitar o horizonte e descobrir que lá se encontra aquele por quem o meu coração espera, petrificado. Anne Frank também suspirava por outro Peter. No entanto, tinha muitos admiradores. Mas o que ela queria era amigos. Amigos verdadeiros. E o Peter que ela beijou pôde ser, por algum tempo, esse seu amigo.
Também queria que o rapaz por quem espero fosse um dos meus melhores amigos. Queria que ele me convidasse para dançar, ao som de uma balada, talvez a "The Ghost of You", não pela letra, mas pelo som. Ou então, ao som de uma música que ambos gostássemos. Gostava de poder encostar a cabeça no seu peito, gostava que ele me beijasse num dia de muita chuva, todos molhados, acariciados pelo toque fresco e suave das gotas, que nos teriam apanhado de surpresa. Ai, se o meu primeiro beijo fosse assim! Percorreria com ele o mundo, agarrar-me-ia a ele sempre que tivesse medo, chamaria por ele à noite, e faria outra coisas que a minha imaginação ditaria... Esperarei por ti, qual Bela Adormecida, ou Branca de Neve, ansiando pelo teu beijo. Espero que não surjas tarde de mais. Espero que sejas tal como te imagino. Nem perfeito, nem com muitos defeitos, mas excelente para ser meu companheiro. Se estivermos destinados a estar juntos, encontrar-nos-emos na altura própria. Até lá, anseio por ti e espero superar as tuas expectativas.

Mas Anne não teve um final feliz. Ela queria ser escritora, queria ser uma mulher moderna, ser diferente, não viver só para o casamento. Queria ser actriz, queria que todos a conhecessem, ser famosa. E conseguiu. Pelas piores razões. Ela e os outros foram denunciados, foram presos e escravizados como os outros judeus. O diário sobreviveu, para contar a história, assim como Otto Frank, o pai, o Pim. Anne e a irmã morreriam duas semanas antes da libertação do campo onde se encontravam, vítimas da ironia do destino.
(texto inspirado no filme "Anne Frank The Whole Story" e no "Diário de Anne Frank". Citações do filme.)
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